"Laugh", Aleah Chapin
óleo sobre tela, 40 x 48 polegadas
Um artigo assinado por Alba Muñoz sobre o trabalho da jovem pintora Aleah Chapin que reproduz corpos de mulheres que passam dos 60 anos, oferecendo-nos a oportunidade para reflectimos sobre uma realidade que nos tocará/toca a todos, mulheres e homens.
Para mim a beleza, seja qual for a idade, depende sempre dos olhos da alma de quem nos mira... mesmo que ao espelho, mas entendo que, para a maioria, fixada em cânones estereotipados do que é a "beleza" e em preconceitos de concepção da sociedade estratificada rigidamente em grupos etários, não seja assim.
Uma amiga comentou, a propósito deste artigo, "a melhor roupa, a nossa pele". E como a melhor roupa enruga e se deforma, dando-me o mote para ir à descobris da "pele" na poesia:
A PELE
A pele goza
a pele muda
a pele sangra
Na turvação oculta
sob os dedos
no enredo do ciúme
A hesitar
em ser arrebatada
ou ser enredo
A pele vive
e pulsa
a pele gosta
Entrega-se na pressa
à desmesura, debaixo
do vestido a sussurrar
Como um pássaro
de lume
ou de loucura
A pele quer e fere
renda e faca
a pele sara e fecha na cintura
Ferro no arroubo
veia intacta
tacto de cetim e aventura
Mas logo cicatriza
quando rasga
ora eclipse ora lua
A pele conta
e seduz
a pele invoca
Com o seu
febril odor
de pérola acesa
Tendo da camélia
a maciez do sexo
amêndoa fendida na beleza
A pele entorna
a pele turva despida
a pele evita
A pele cura
mata
e silencía
Da palma e da vagina
o lento odor da folha
do roseiral do corpo
E da poesia
(In: Revista Inútil #3)
De Bandeira Tribuzi, poeta brasileiro:
O HOMEM EM PELE E OSSO
A pele é superfície,
os ossos são entranha.
A pele é o que se vê,
os ossos o que escapa.
A pele é uma casca,
os ossos uma safra.
A pele é entrega,
o osso é arma.
A pele é palma,
o osso é clava.
A pele é a pintura,
os ossos são a casa.
A pele é o acidente,
o osso o permanente.
A pele são as nuvens,
os ossos são a água.
A pele são os musgos,
os ossos são as montanhas.
A pele é o agora,
os ossos são milênios.
A pele é um orvalho,
os ossos são invernos.
(In: Pele & Osso, 1970)

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