Por decisão
exarada em acórdão do Supremo Tribunal Administrativo, os
juízes-conselheiros Maria Fernanda dos Santos Maçãs, de 58 anos, Alberto
Acácio de Sá Costa Reis (64) e José Francisco Fonseca da Paz (66)
consideraram, por unanimidade, que que a sexualidade aos 50 anos já não
“tem a mesma importância que assume em idades mais novas”.
Transcrevo o considerando expandido no "douto" acórdão:
"Por outro lado, importa não esquecer que a Autora na data da operação
já tinha 50 anos e dois filhos, isto é, uma idade em que a sexualidade
não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa
que vai diminuindo à medida que a idade avança."
Logo deduzo que
est@s juíz@s consideraram que a sexualidade tem como objectivo a
procriação - senão não enfatizariam "50 anos e dois filhos"- e que, por
certo, com base nas suas vivências pessoais e entendimento de sexo,
desvalorizam o sexo nas idades menos jovens, que para além do
"truca-truca" - como poetou Natália (1) - incluí carinho e afeição. É que
comprovadamente não é a idade que dessexualiza o ser humano, outras
razões haverá.
Sobre este assunto recomendo a leitura do artigo assinado por Carlos Rodrigues Lima e publicado no DN, que a revista Julgar da Associação Sindical dos Juízes Portugueses
(ASJP), republicou na integra. Para além de declarações diversas avaliando esta decisão pouco informada e sem base científica, refere ainda outros casos onde os juízes decidiram contra a natureza das coisas, nomeadamente em "Psiquiatra absolvido em violação de paciente", "Castigos corporais a deficientes são aceitáveis" e "Trabalhar alcoolizado é bom para produtividade".
Pergunta-se: E não será possível exautorá-los?
Pergunta-se: E não será possível exautorá-los?
Natália
Correia, na sequência da afirmação do deputado do CDS, João Morgado, em
Abril de 1982, de que «o acto sexual é para fazer filhos», respondeu-lhe
com o seguinte poema, provocando o riso em todas as bancadas
parlamentares.
Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o órgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
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